Uma escuta psicanalítica das vidas secas.

A desproteção decorrente da transgressão de normas elementares, dos diversos abusos e da corrupção, sugere, nesta etapa avançada da modernidade, a ruptura dos fundamentos do contrato social e a irrupção do traumático, tomado aqui como a desorganização subjetiva decorrente da emergência daquilo que está fora do sentido e da significação. A perda de um discurso de pertinência e de atribuição de um lugar social, a falta de gratificação narcísica aliada à exclusão dos ideais e valores do grupo promovem um rompimento dos laços sociais e efeitos disruptivos na subjetividade. Com o objetivo de apontar algumas conseqüências da pobreza extrema e da exclusão social nos sujeitos do modelo econômico neoliberal, particularmente nos jovens da periferia de um grande centro urbano como São Paulo, este trabalho parte da constatação de uma resistência à escuta desses sujeitos, indicando nesse ponto a apatia, a solidão e o emudecimento, assim como a reprodução, na subjetividade, da violência e da pobreza afetiva e intelectual, como encobridoras da possibilidade de elaboração simbólica que poderia dar forma sintomática ao que é vivido como traumático. Aponta, ainda, a possibilidade da escuta desse sujeito emudecido ante a exclusão. 2004, 12 páginas

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